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Voto vencido; não esquecido

Referendar: Sim ou Não?

William Coêlho*

 

Muitas pessoas não parecem muito seguras quanto à decisão de votar no SIM ou no NÃO nesse referendo de 23 de outubro de 2005. Elas reclamam que a campanha mais confunde do que esclarece. Algumas simplesmente esteriotiparam o "sim" como "voto de cabresto" da direita que apenas confirma o que está posto, e o "não" como uma postura revolucionária, de esquerda, que nega tudo o que beneficia a direita. Há até quem acredite que tal referendo foi oportunizado apenas para se esquecer da crise política porque passa o Governo e seu partido.

Estranho não sabermos que esse referendo já estava previsto desde a aprovação do Estatuto do Desarmamento, muito antes, portanto, de se tornar público o escândalo de corrupção que envolve o PT. Mas, então, o que é o referendo? O que referendar, afinal?

O referendo é uma votação pública para a população se responsabilizar socialmente, endossando ao votar SIM ou rejeitando ao votar NÃO, sobre o que já fora decidido pelo Poder Legislativo com esta ressalva da consulta popular. Quer dizer: os deputados aprovaram, mas entenderam que o assunto é tão sério que a população precisa ser consultada. Conseqüentemente, nessa consulta, a população pode concordar com o que foi aprovado, mas também pode discordar. E para isto é preciso dizer "Não": não concordo; não confirmo; não endosso; não referendo.

Então, o que foi aprovado no Congresso Federal, de tão sério, que precisa do referendo ou confirmação da sociedade? "A pergunta é simples: VOCÊ CONCORDA COM A PROIBIÇÃO DO COMÉRCIO DE ARMAS À POPULAÇÃO CIVIL?" SIM ou NÃO? Quer dizer: o Poder Legislativo já aprovou tal proibição, juntamente com o Estatuto do Desarmamento. No entanto, os Representantes eleitos consideram insuficiente a sua representação sobre tal matéria e devolvem a responsabilidade para os representados, que devem decidir: deve ser proibida a comercialização de armas a civis? E por que esse assunto é tão sério?

A campanha do NÃO, decerto, defende que não se deve proibir tal comércio porque isto fere um direito do cidadão. Mas que direito é este? O direito de andar armado? "O direito de se defender", dizem eles. Mas, se defender de quem? De bandidos, pois eles continuarão armados. E isto, sem dúvida, está respaldado na campanha do SIM, que diz: "vamos desarmar os cidadãos".

Por outro lado, a campanha do SIM defende que é necessário proibir o comércio de armas a civis, como forma de reduzir o índice de violência entre cidadãos de bem. Para tanto, mostram-se dados estatísticos do quanto diminuiu o número de mortes por armas de fogo e da chamada arma branca (aquela que não foi feita para matar), diminuindo inclusive o número de assaltos, desde a Campanha do Desarmamento, quando a população voluntariamente se desapropriou de suas armas trocando-as por dinheiro ou até por brinquedos.

A campanha do NÃO, entretanto, contesta esse argumento alegando que se o número de mortes por faca também diminuiu, então nada garante que a redução do número de mortes por armas de fogo deva-se ao desarmamento voluntário.

Ora, também podemos pensar que os dados reforçam a idéia de que, ao desarmar-se, o cidadão não fez só livrar-se do objeto material da violência, mas livrou-se também principalmente da condição mental que a alimenta, como quem se sente limpo e renovado ao despir-se da roupa suja e ao lavar-se, como num ritual de batismo, por exemplo. Talvez seja esta a explicação mais plausível do porque nem as facas foram utilizadas para matar cidadãos de bem: mãos e mentes desarmadas.

A outra questão diz respeito à idéia de "direito de defesa". Que raciocínio pode sustentar que o uso de uma arma funciona como defesa? Ora, defesa pressupõe o ataque. Portanto, significa um obstáculo ou impedimento ao ataque alheio. Nesse sentido, tão-somente a ostentação da arma cumpriria essa função; não o seu uso. Porém, se ela não está exposta e ao alcance, nada impede o ataque que, aliás, pode ser fatal e, portanto, nem dar tempo de usá-la sequer para revide. Contudo, se ela está exposta, pode provocar um ataque calculado, para impedir o seu uso, restando apenas a diminuta probabilidade de uma falha. Portanto, ao contrário do que se acredita, a função de uma arma não é a defesa, mas fundamentalmente o ataque ou a ameaça. Entretanto, não é do caráter de um cidadão de bem atacar nem ameaçar pessoas. Logo, não lhe cabe tal direito.

Pode-se ainda comparar esse direito à liberdade de portar uma arma se assim o cidadão preferir com o direito de uma criança fazer o que ela desejar. Sabemos que uma criança deve aprender com a experiência, pois as palavras não têm sentido se não se associam a uma sensação correspondente. Imagine-se, então, uma criança querendo colocar o dedinho numa tomada de energia elétrica. O simples "não, isso não pode; dá choque" não lhe será compreendido se ela nunca sofreu um choque elétrico. No entanto, é inadmissível deixá-la experimentar tal sensação visto que não há cálculo para prever as conseqüências. Portanto, ela não deve ter tal direito. Do mesmo modo, não há cálculo para prever as conseqüências do uso de uma arma, mesmo nas mãos de um cidadão de bem. Por isso, ele também não deve ter tal direito.

Ora, o ataque é uma violência. E o uso desta não é mais que expressão de uma fraqueza: o medo de que descubram e abusem do seu aspecto mais humano. Daí o uso de armas expressar, paradoxalmente, o instinto animal de superar tal fraqueza, constituído humanamente numa antecipação da vingança contra a mera ameaça de descoberta e abuso sobre o que o indivíduo mais preza como sendo essencialmente seu: seu caráter, seu modo de ser humano.

Uma outra questão diz respeito à vulnerabilidade do cidadão de bem desarmado perante o bandido armado. Ora, todos nós já e ainda estamos vulneráveis a bandidos. No entanto, com o referendo da proibição de armas, todo cidadão de bem, felizmente, estará vulnerável só e somente só ao bandido. Porém, ao negarmos a proibição do comércio de armas, os verdadeiros cidadãos de bem continuarão vulneráveis também, além dos bandidos, àqueles ditos cidadãos de bem que, por portarem arma, se julgam confiantes e pretensos justiceiros para antecipar a vingança contra qualquer suposta ameaça à sua vulnerabilidade. Em suma, continuaremos sem saber, afinal, quem é cidadão de bem. Enquanto, com a proibição, pelo menos não teremos mais cidadãos de bem uns contra os outros, e sim todos juntos atentos apenas à bandidagem. Pois, reconhecidamente, só portará arma quem for bandido ou policial. Mas quanto a este a sociedade pode, pelo menos, cuidar com salário digno e uma melhor educação para o bom uso da sua arma, que é pública.

Eis porque votar no SIM: porque vale observar que o cidadão armado se predispõe à violência; desarmado ele se dispõe à paz!

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COMPLEXO DE VIRA-LATA

O neurobiólogo Sidarta Ribeiro lembra que somente em 15 de novembro de 2007 um
brasileiro, o neurocientista Miguel Nicolelis, deu uma palestra nos seminários
organizados pela Fundação Nobel. Na abertura de sua
apresentação, Nicolelis relembrou a final da Copa do Mundo de 1958, quando o
Brasil venceu a Suécia de goleada. Até então, o país sofria com o
"complexo de vira-lata" provocado pela final de 1950. Da mesma forma, e
embora reconhecendo que a produção científica brasileira sofre de
"limitação de recursos e de ambição intelectual", Ribeiro ainda assim é
otimista quanto ao futuro da pesquisa no país e conclui: "é difícil
prever quando um brasileiro ganhará o Nobel e que importância isso
poderá ter para o país. Se redimir nosso complexo de vira-lata
científico, terá inestimável valor" (Wikipedia)
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LULA NÃO ENTENDE NADA por Pedro Lima



Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de
miseráveis e

pobres à condição de consumidores; e
que também não entende de

economia; pagou as contas de FHC,
zerou a dívida com o FMI e ainda

empresta
algum aos ricos.

Lula, o analfabeto, que não entende
de educação, criou mais escolas e

universidades
que seus antecessores juntos [14 universidades públicas

e estendeu mais de 40 campi], e ainda criou o PRÓ-UNI,
que leva o

filho do pobre à universidade [meio
milhão de bolsa para pobres em

escolas
particulares].

Lula, que não entende de finanças nem
de contas públicas, elevou o

salário
mínimo

de 64 para mais de 291 dólares
[valores de janeiro de 2010], e não

quebrou a
previdência como queria FHC.

Lula, que
não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse

que o Brasil está melhor que o mundo. Embora o
PIG-Partido da Imprensa

Golpista, que entende de tudo, diga
que não.

Lula, que não entende de engenharia,
nem de mecânica, nem de nada,

reabilitou o
Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país à

liderança mundial de combustíveis renováveis [maior
programa de

energia alternativa ao petróleo do
planeta].

Lula, que não entende de política,
mudou os paradigmas

mundiais e colocou o Brasil na
liderança dos países emergentes,

passou a ser
respeitado e enterrou o G-8 [criou o G-20].


Lula,
que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi

"sindicalista brucutu"; mandou às favas a ALCA, olhou para
os parceiros

do sul, especialmente para os
vizinhos da América Latina, onde exerce

liderança
absoluta sem ser imperialista. Tem fácil trânsito junto a

Chaves, Fidel, Obama, Evo etc. Bobo que é, cedeu a tudo e
a todos.

Lula, que não entende de mulher nem
de negro, colocou o primeiro negro

no Supremo
(desmoralizado por brancos) uma mulher no cargo de primeira

ministra, e que pode inclusive, fazê-la sua sucessora.
Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da
rainha (a convite

dela) e afrontou nossa fidalguia
branca de lentes azuis.

Lula, que não entende de
desenvolvimento, nunca ouviu falar de Keynes,

criou o PAC; antes mesmo que o mundo inteiro dissesse
que é hora de o

Estado investir; hoje o PAC é um
amortecedor da crise.

Lula, que não entende de crise,
mandou baixar o IPI e levou a

indústria
automobilística a bater recorde no trimestre [como também na

linha branca de eletrodomésticos].
Lula, que não entende de português
nem de outra língua, tem fluência entre os líderes
mundiais; é

respeitado e citado entre as pessoas
mais poderosas e influentes no

mundo atual
[o melhor do mundo para o Le Monde, Times, News Week,

Financial Times e outros…].
Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois "é
um brucutu", já

tinha empatia e relação direta com
George Bush – notada até pela

imprensa
americana – e agora tem a mesma empatia com Barack Obama.

Lula, que não entende nada de sindicato, pois "era apenas
um

agitador", é amigo do tal John Sweeny
[presidente da AFL-CIO –

American Federation Labor-Central
Industrial Congres – a central de

trabalhadores
dos Estados Unidos, que lá sim, é única…] e entra na

Casa Branca com
credencial
de negociador e fala direto com o Tio Sam lá, nos "States".

Lula, que não entende de geografia, pois não sabe
interpretar um mapa,

é autor da [maior] mudança
geopolítica das Américas [na história].

Lula,
que não entende nada de diplomacia internacional, pois "nunca

estará preparado", age com sabedoria em todas as frentes e
se torna

interlocutor universal.

Lula,
que não entende nada de história, pois é apenas um "locutor de

bravatas"; faz história e será lembrado por um grande
legado, dentro e

fora do Brasil.
Lula, que não entende nada de conflitos armados nem de
guerra, pois é

um "pacifista ingênuo", já é cotado
pelos palestinos para dialogar com

Israel.
Lula, que não entende nada de nada;.. é bem melhor que
todos os outros

antecessores…!

Pedro
Lima

Economista e professor de economia da
UFRJ


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De Irmandade e Paternidade

 

Como surgem os preconceitos? De duas, uma: ou por uma única experiência que é indevidamente generalizada ou, como sugere o próprio termo, por conceitos prévios, isto é, por meras noções adquiridas sem crítica através da opinião alheia,  a qual não passa de generalização indevidamente extraída de experiência singular.

Pense no seguinte: o que se pode pensar de um "irmão" que explora outro, sem escrúpulos? Que tipo de irmão é esse? O que o seu pai lhe ensina sobre justiça? E sobre a vida boa em comunhão? Pois bem, como pode alguém prestar serviço tão ruim e cobrar tão
caro?

Observem: eu gastei R$ 100,00 por uma peça de estrutura em ferro dobrado em forma de U, soldada, pintada, com acabamento em borracha nas pontas, parafusos, porcas, arruelas, pé central em forma de aranha, com cinco rodinhas, além dos cones de plástico forrando o mecanismo do pé, que movimenta para cima e para baixo, semi-automático, e ainda gira 380°. R$ 100,00 foi quanto me custou essa peça, com todo o material do fabricante. Nada meu, exceto a ideia de um suporte para laptop.

Mas o "irmão" quer me cobrar R$ 25,00 por um remendo de alumínio, sendo o material meu e a idéia também. R$ 25,00 só pelo seu trabalho de 20 minutos, em um material mais maleável que o ferro? …25% do total da peça, só pelo seu remendo mal feito? Isso é justo? É certo isso? Ou melhor, usando a própria linguagem do "irmão", já que ele não tem idéia do que seja justiça: tem cabimento isso?

Em sendo assim, mesmo o sujeito se dizendo cristão, quem pode lhe chamar de irmão? Eu, pelo menos, desconfio da sua paternidade. Quem age assim certamente deve acreditar muito em seu deus, pela garantia do próprio sustento, pois não há outra explicação para isso, à custa da enganação de muita gente. Desgraçadamente, enganando muitos daqueles que o chamam de irmão.

Mas, se é verdade que é ele que lhe garante o sustento, enganando os seus outros irmãos, então, que deus é este? Este é o deus cristão, a cometer e permitir injustiça de um homem contra os outros? E pode se chamar de justo um deus ou um homem que age desse modo? Assim, ou o deus cristão não é justo ou não é ele que está resguardando alguém com tanta injustiça.

Se só existe um Deus, único e verdadeiro, como querem acreditar os cristãos, então ele não é justo. Se ele é justo e onipotente, então ele deve corrigir as injustiças de seus filhos e a sua punição seria a decadência desse trabalho aviltoso. Se o indivíduo prospera, então não há punição, por conseguinte, ele não é justo nem onipotente. Ou não é único nem onipotente. Pois, alguém pode estar se devotando a um deus enganador, que lhe garante o sustento sob a injustiça e faz você acreditar que tal prosperidade é o melhor e o verdadeiro caminho da boa vida. Será esta a resposta?

Pense nisso! E reaja.

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PROPOSTA PARA O TRÂNSITO URBANO

 

Caríssimo Prefeito Ricardo Coutinho!

 

Há tempos eu desejava lhe parabenizar pela exemplar administração pública de João Pessoa e lhe sugerir algumas mudanças no trânsito dessa cidade apaixonante. Contudo, somente após aquele nosso brevíssimo encontro na praia de Cabo Branco, em cuja conversa o nobre Prefeito agraciou-me com o seu e-mail particular, enfim, resolvo lhe apresentá-las.

Primeiramente, vale salientar o quão maravilhoso é observar como esta cidade ficou visivelmente melhor desde a sua administração!

Certamente porque, assim como os verdadeiros fieis agem de modo justo conforme a sua crença em um Deus bom e justo, ao se considerarem Sua imagem e semelhança, ou agem arrogantemente, por preferirem acreditar em um deus Todo-Poderoso, do mesmo modo esse comportamento se repete em relação aos governantes: os súditos agem bem e honestamente se acreditam que o seu governante é honesto e justo; as pessoas aprendem a pensar e a agir em prol da comunidade se assim atua o seu governo. Isto é captado pelo funcionalismo público, a partir dos dirigentes setoriais devidamente escolhidos para representar a autoridade do governante, e sintomaticamente é expressado e retransmitido para a população.

Em prol da cidadania, acredito que o melhor investimento público é sempre aquele que muda o presente fundamentando o futuro da sociedade: a Educação e a Saúde. E, felizmente, estes tem sido realizados em João Pessoa, reconhecidamente na sua administração. No entanto, há um terceiro investimento básico para a cidadania, o qual depende fundamentalmente dos dois primeiros: a segurança. Esta resulta principalmente de políticas públicas de lazer e de preservação do espaço público, através de programas culturais, mediante as artes, o esporte e a vigilância dos valores comunitários. O cidadão bem educado e saudável aprende a zelar pela boa vida, através dos programas de cidadania do poder público e da fiscalização ostensiva, que garanta a segurança e promova os bons hábitos da população.

Como diz o filósofo Aristóteles, em defesa da espécie humana naturalmente o Homem constitui família, em nome da sobrevivência as famílias se reúnem em comunidades, mas o ser humano se reúne na cidade (Pólis) em busca da boa vida, proporcionada pela boa convivência em sociedade. E, do meu ponto particular de observação, parece faltar muito pouco para a boa vida em João Pessoa, para a boa convivência social, para a tranquilidade e a segurança na via pública: o trânsito.

Eu sei que o nobre Prefeito investiu bastante no sistema de transporte coletivo em João Pessoa. Isto é louvável, pois se trata da condição necessária para o bom trânsito urbano. Porém, não é suficiente se os motoristas não forem bem educados. E mesmo a boa educação decai sem fiscalização. Infelizmente, apesar das campanhas de trânsito, ainda há muitos motoristas e principalmente motoqueiros que inibem o orgulho e o prazer em transitar nessa cidade maravilhosa. Isto, possivelmente, devido à falta de hábito que deveria ser criado através da fiscalização constante.

Digo isto porque tenho observado os nossos agentes de trânsito e, infelizmente, eles tem falhado nesse aspecto. É comum, por exemplo, se encontrarem dois ou mais agentes em local pouco carente de sua função, em detrimento de locais próximos onde sua atenção é exigida para coibir abusos. Pior que isso é vê-los passarem por uma infração e nada fazerem, como se não a reconhecessem como tal: é carro estacionado em esquina, em cima de calçada ou da faixa de pedestre, em parada de ônibus, em fila dupla; motoqueiro ou o carona sem capacete; moto trafegando com farol apagado, com dois ou mais passageiros; ciclomotores trafegando pela pista da esquerda, a atrapalhar o trânsito, e demais veículos lentos obrigando os outros a lhes ultrapassarem pela direita; motoristas com celular ou fone de ouvido enquanto dirigem com uma única mão ao volante, buzinadas em frente a escolas ou hospitais; mudança de direção sem o uso da sinaleira devida; é veículo visivelmente irregular, sem sinaleira, sem retrovisor, sem cano de escape, poluindo o ambiente com barulho ou fumaça e nos obrigando a conviver com esse desrespeito à racionalidade e à cidadania, por falta de uma autoridade que coíba tais abusos. Pois, muitas vezes os infratores são agentes públicos, que deveriam dar bom exemplo.

Talvez a STTRANS alegue que tal fiscalização não é papel de seus agentes, mas sim do Detran. Que seja, no tocante às condições dos veículos! Mas, creio que ela tem sim um papel educativo, de advertência, para chamar a atenção do condutor objetivando que tal atitude não se repita; orientá-lo para a boa convivência no trânsito e sobre os direitos de todo cidadão, inclusive e principalmente do pedestre, vulnerável e indefeso.

Para que a fiscalização seja eficaz, é necessário que o agente de trânsito pelo menos denuncie ao Detran o condutor reincidente. Todavia, fique claro que, antes de tudo, o fiscal está sendo amigável, de modo que somente o mau condutor considerá-lo-á um inimigo. Pois, do contrário, como a STTrans cumprirá o seu "propósito de assegurar à população mobilidade, acessibilidade, segurança, fluidez e conforto nos sistemas de transporte e trânsito, respaldado na competência, satisfação profissional e nos avanços tecnológicos, contribuindo para a qualidade de vida no município"? Como ela pode ter reconhecida pela sociedade a sua Missão de "ser uma organização cidadã… trabalhando acima de tudo, para uma prestação de serviço humanizado, transparente, considerando a qualidade de vida como objetivo maior de todo esforço empreendido"?

Observe-se que o princípio fundamental do trânsito é a racionalidade. E o seu primeiro dispositivo é o estabelecimento de uma pista apropriada para cada usuário transitar em direções opostas sem se baterem: no caso brasileiro, trafega-se pela direita, deixando a esquerda para o tráfego em sentido contrário. Isto serve inclusive para pedestres. Assim também a linguagem dos sinais, como o uso da sinaleira esquerda para ultrapassar outro veículo ou mudar de faixa, ou da sinaleira direita para estacionar ou autorizando ultrapassagem segura, ou para sair ou entrar na pista, assim como a alternância entre luz alta e luz baixa para pedir passagem ou avisar de perigo, além do funcionamento da luz de freio e até a buzina como alerta sonoro, tudo isso é uma questão de respeito à racionalidade no trânsito. E é o que permite a confiabilidade nos condutores. Pois, se é irracional não é confiável. Em suma, os nossos condutores precisam aprender a sinalizar suas intenções no trânsito, para torná-lo confiável e, por conseguinte, mais seguro e melhor.

A propósito, nas campanhas de RESPEITE A FAIXA esqueceram de instruir o condutor a ligar o pisca-alerta avisando do cuidado aos outros motoristas para não o ultrapassarem naquele local, visando assim evitar o risco de atropelamento de pedestre ou de um choque na traseira do seu carro. Por isso precisamos de agentes racionais no trânsito, mais do que dos equipamentos tecnológicos irracionais. Estes devem apenas ajudar no registro e na organização do trânsito, quando os condutores já estão educados. Porém, os agentes precisam saber, de fato, usar a razão: pensar, escolher e decidir; saber identificar o bom e o mau condutores e orientar para a boa convivência no trânsito, a fim de evitar os transtornos causadores de estresse.

Considerando que o aumento do número de veículos ocorre em progressão geométrica, é fácil observar que em breve não haverá mais espaço urbano suficiente para o tráfego de veículos. Por isso, no tocante à mobilidade e acessibilidade do trânsito, eu teria algumas propostas, conforme lhe sugeri em nossa conversa na praia de Cabo Branco:

1) Transformar em MÃO ÚNICA TODA RUA PAVIMENTADA.

Isto reduziria o risco de acidentes e de estresse, uma vez que o fluxo de veículos equitativamente distribuído permitiria maior mobilidade e acessibilidade, por haver sempre uma via alternativa de acesso, mediante a rua paralela subsequente.

EXIGÊNCIA: pavimentar e asfaltar as ruas de tráfego em torno das avenidas principais até, pelo menos, o terceiro quarteirão, descentralizando as avenidas e ampliando a mobilidade e a acessibilidade, com a alternância de sentido entre as ruas pavimentadas: sempre uma vai e a outra vem; nunca ambas paralelas vizinhas no mesmo sentido, garantindo, inclusive, que as ruas sejam usadas como retorno.

BENEFÍCIO: visto que o fluxo estará reduzido pela distribuição equitativa do trânsito, poder-se-á acrescentar ciclovia à margem direita do tráfego, evitando que ciclistas trafeguem pela margem esquerda da pista, e reduzindo os riscos de acidente. Além disso, quando se interditar uma via, a rua alternativa apenas aumentará o seu fluxo momentaneamente, uma vez que seu tráfego segue o mesmo sentido da interditada.

Obs.: a referência para tal alternância deve ser sempre as avenidas principais que, a meu ver, também devem ser de mão única se não comportarem pelo menos 3 pistas em cada direção. Estas avenidas também devem ser alternadas: por uma principal só vai, pela outra principal mais próxima só vem.

2) Toda avenida principal de mão única deve dispor de uma FAIXA PARA ÔNIBUS, na qual possam trafegar ciclomotores, paralelamente à CICLOVIA.

EXIGÊNCIA: usar sinalizadores horizontais luminosos em alto relevo para separar da pista a FAIXA PARA ÔNIBUS e a CICLOVIA, proporcionando maior segurança para ciclistas e ciclomotores, que trafegam geralmente à mesma velocidade dos transportes coletivos urbanos, e por conseguinte, maior mobilidade para ônibus.

BENEFÍCIOS: segurança e melhor controle do tráfego de ciclistas e ciclomotores, com menor risco de acidentes, por disporem de via exclusiva; maior fluxo e mobilidade para o tráfego de ônibus, que não precisarão mais parar fora dos abrigos de passageiros; por conseguinte, maior segurança e melhor atendimento ao usuário de transporte coletivo, motivando as pessoas a usarem mais o transporte público e a bicicleta.

Obs.: separada por sinalizadores horizontais luminosos em alto relevo, a ciclovia deve percorrer a margem direita da faixa para ônibus, passando para a margem esquerda nos trechos de acesso de passageiro. Vale lembrar que a FAIXA PARA ÔNIBUS também facilitará o tráfego de ambulância e viaturas de Bombeiro e Polícia em atendimento de emergência.

3) Estabelecer ESTACIONAMENTO PÚBLICO apenas do LADO OPOSTO AO DA CICLOVIA, em todas as ruas pavimentadas. E ZONA AZUL nas avenidas principais, para garantir maior controle do acesso.

Nos trechos em que árvores se encontram centralizadas na rua, permitir estacionamento apenas entre elas.

BENEFÍCIO: a redução da quantidade de estacionamentos certamente desmotivará o uso desnecessário de carros, uma vez que o trajeto para veículo se tornará sempre mais longo e antieconômico e sem a comodidade de estacionar à porta, tornando o tráfego mais tranquilo e seguro, haja vista haver menos veículos e mais ruas alternadas para retorno ou acesso para qualquer lugar.

EXIGÊNCIA: sinalização e fiscalização.

Evidentemente, tais propostas sofrerão resistência, principalmente daqueles que se apegam ao carro como o maior símbolo de status econômico e social, e cujo egoísmo pequeno-burguês lhes impede de reconhecer os direitos daqueles que nem conquistaram tal status. Entretanto, é preciso chamar a atenção para a necessidade de se implementar medidas que gerem atitudes visando à melhoria da qualidade de vida, apesar e a partir do trânsito. Porquanto, no ritmo em que segue a inserção de veículos nas ruas a cada ano nas capitais e grandes cidades, muito em breve não haverá mais espaço nem condição de tráfego sem o estresse cotidiano.

Vale observar que tais propostas possivelmente impliquem em maior aumento no número de motocicletas no trânsito, além de bicicletas e ciclomotores, em compensação ao decréscimo do número de carros. No entanto, é antidemocrático e racionalmente insustentável criar uma faixa exclusiva para motos. A despeito da lei, porém, nenhum trânsito comporta prolongar suas filas tão-somente pelo fato de cada moto ocupar o devido lugar correspondente a um carro. Ora, somente pela irracionalidade da inveja justifica-se que alguns motoristas transitem como se fossem passar no corredor entre dois carros, impedindo assim que motociclistas o usem. Pois, se isso acontece, a conseqüência é o prolongamento das filas e o aumento do risco de acidentes, o que pioraria ainda mais o estresse pelos transtornos.

Todavia, é razoável que os motoristas transitem no limite esquerdo da pista da esquerda, dado o melhor ângulo de visão pela referência do meio-fio, ou que trafeguem no limite direito da pista da direita (ou do meio), guardando um corredor entre as duas pistas, pelo qual é possível o trânsito de motos, enquanto os veículos estiverem parados nos semáforos ou em marcha lenta. É apenas uma questão de bom-senso e de respeito à vida para que o trânsito flua bem e em segurança.

É preciso, portanto, desde já, criar condições de descentralização do trânsito, por meio da ampliação de trechos trafegáveis, através da pavimentação e do asfaltamento de ruas em torno às avenidas principais, visando garantir a mobilidade e a acessibilidade do tráfego por vias de mão única, proporcionando hábitos de modo democrático e seguro entre os usuários dos diversos meios de transporte rodoviário.

Bom proveito! E muito obrigado pela atenção!

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Já…

 

"A gente já sente falta do que ainda nem se foi".

 

…E é tão cedo!

Mas já arde em mim o medo do atraso.

 

Pois eu, que já me fui, nenhuma falta lhe faço.

 

Acaso o espaço pouco contribui

Se assim corroi o tempo os meus passos?

 

…Ah, a tarde cai.

 

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